sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

...

Este blogue nasceu de uma esperança. Pela parte que me diz respeito foi mais uma esperança rasgada. Sim, sabia as probabilidades.

Adorei ter lido, conhecido o Flávio Monte. Já conhecia o Ramiro Marques pelo seu blogue principal. O SKORPIOS tem-me dado vida.

Sendo a vida muito especial aceito com naturalidade o fim de algumas coisas ou circunstâncias. Neste caso, continuamos em percurso. Da minha parte com carinho e respeito.

Talvez este blogue deva ser fechado ao público e manter-se para os seus 'autores'. Liberdade, sempre.




Professor morre sem assistência médica, numa escola situada ao lado de um Hospital, e por incapacidade de resposta do INEM!!!


Margarida disse...

Não compreendo este mundo. Cada vez é mais fácil isolar-me. Sempre em revolta, por não conseguir mudar nada, tal como me estão sempre a dizer.

Somos 3, 4 ou 10 ou até algumas centenas de pessoas aquelas que realmente são solidárias com acontecimentos dramáticos como este. Se estivesse errada, não se teria visto já?

Dói-me a alma, o coração, apertado, em caminho descendente.

Não consigo enviar palavras de conforto para a família e amigos porque não as tenho. Apenas, sinto.

Desejo força para todos os amigos, familiares do Professor João. E - não sendo católica - espero que o nosso colega esteja em paz.

Desculpem-me pelo 'eu', 'eu' 'eu'. Em causa está a morte de um colega, o desaparecimento de uma pessoa querida e amada.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

CENHO LAVRADO


O rosto da minha gente
Povo da Terra Serrana
Tem um relevo imanente
Uma feição transparente
E uma tez que não engana

A gente do meu barroso
Traz no rosto endurecido
O Inverno revoltoso
O chão duro e custoso
E o sono mal dormido

Aquele cenho lavrado
Feito de sulcos e estrias
É aradura do fado
De um povo devotado
Ao agror das serranias

É um cenho amargurado
Crestado e entristecido
Mas digno e bem lavado
Genuíno e levantado
De um respeito desmedido

Flávio Monte

BERÇO BARROSÃO


Voa, coração saudoso,
Vai a Montalegre ver
O manto branco sedoso
Que cobre o leito viçoso
Do berço do teu nascer

Voa nas asas do vento
Vai, choroso coração,
Responde ao teu chamamento
E vai buscar alimento
Ao teu país barrosão

Leva o meu olhar tão triste
Leva o meu amor também
Ao ninho de onde partiste
Paraíso onde persiste
O peito da minha mãe

Flávio Monte

terça-feira, 18 de novembro de 2008

'A Marcha dos Espíritos Livres'


I - Valeu a pena. Sem qualquer dúvida ou hesitação. Valeria, igualmente, se estivéssemos, apenas, algumas centenas de professores razoavelmente livres. Mas ... a história faz-se de baptismos e para cada acto há um primeiro gesto, geralmente simbólico. As expectativas transcenderam muitos de nós, tanto em número como em atitude.

II - As expressões das pessoas não enganam e as fotografias - as que apresento - falham muitas vezes. Fica a ideia e a intenção e o registo para história e para a estória de quem o desejar.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O PEDINTE

À porta da igreja
Estava um velho pedinte
Mão engelhada
Rosto chupado
Corpo curvado
Tremente de frio

À porta da igreja
Estava um velho acinte
Irmão enjoado
Rosto emproado
Corpo dourado
Fremente de brio

À porta da igreja
Cristo estendia a mão
À vaidade mundana
Rosto chagado
Corpo rasgado
Avezo vagabundo

À porta da igreja
Alegorização
Da vanidade humana
Rosto simulado
Corpo pesado
Desprezo profundo

À porta da igreja
A eterna peleja
Deste mundo voraz
Morre Cristo
Come Barrabás

Flávio Monte

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

TERRA FRIA


Quero ir ao meu Barroso
Beber o ar da montanha
Sentir o chão alteroso
O hálito limpo e airoso
De um aroma que se entranha

Quero ir à minha terra
Ser o dia que amanhece
Ver o céu que desenterra
Dos cavos brônquios da serra
Um ar frio que apetece

Quero ir onde nasci
Voltar à lareira quente
Da infância que vivi
Da essência que fruí
No calor da minha gente

Flávio Monte

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

31 de Outubro de 2008

Imagem: Margarida

SAG

Fotografia: Margarida Az.
"O symbolo e o ritual são os modos de uma alma superior communicar com outra, inferior, sem que tenha necessidade de palavras. São como um olhar que se contenta, olhando, com outro olhar." (Fernando Pessoa apud Yvette K. Centeno, 2004: 41)

"O adepto, tal como o artista, é chamado antes de mais a "sentir" os símbolos, como escreve Fernando Pessoa. Da sua capacidade de sentir depende tudo o mais: "primeiro sentir os symbolos, sentir que os symbolos teem vida ou alma - que os symbolos são gente. Mais tarde virá a interpretação mas sem esse sentimento a interpretação não vem." (id. 42)
Referência bibliográfica: CENTENO, Yvette, Fernando Pessoa: Magia e fantasia, Porto, ASA, 2004

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