domingo, 19 de outubro de 2008

Que cada um invente a sua própria virtude, o seu imperativo categórico

"Aquilo que não é uma condição vital é prejudicial à vida: uma virtude que não existe senão por causa dum sentimento de respeito pela ideia de "virtude", como Kant a queria, é perigosa. A "virtude", o "dever", o "bem em si", o bem com o carácter da impersonalidade, do valor geral - quimeras onde se exprime a degenerescência, o último enfraquecimento da vida, a chinesice de Konigsberg. As mais profundas leis da conservação e do crescimento exigem o contrário: que cada um invente a sua própria virtude, o seu imperativo categórico."
Este podia podia ser o primeiro parágrafo do manifesto dos espíritos livres: que cada um invente a sua própria virtude, o seu imperativo categórico.
Nietzsche pagou com a vida o preço da liberdade. E pagou duas vezes:
1. Quando, aos trinta e cinco anos, se despediu de professor de Cultura Clássica na Universidade de Basileia, trocando um lugar bem pago por um vida de peregrino.
2. Quando, aos quarenta e cinco anos de idade, atormentado pela loucura se isolou do mundo e se entregou aos cuidados da mãe e da irmã.
Felizes os que têm o regaço de uma mulher - mãe, irmã, amiga ou amante - para repousar do cansaço e garantir protecção e segurança. Os que carecem do regaço de uma mulher são náufragos sem nada de sólido para se agarrarem, perdidos ao sabor das tormentas, sem porto nem bússola por perto.
Referência: Nietzsche, Anticristo, Publicações Europa-América, p. 23

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